terça-feira, 2 de junho de 2009

COMENTÁRIO SOBRE OS FILMES "SENHOR DAS ARMAS " E "SYRIANA"

Por Maria Fernanda Ribeiro – abril 2009


Na “Selva Capitalista” em que vivemos, as regras são: Não há regras! Nos dois filmes assistidos, observamos claramente a manipulação dos governos e meios de comunicação para estarem sempre no poder.
O poder alucina e quanto mais se tem, mais se quer. Nesse mundo, a corrupção anda atrelada a rotina governamental, dos meios de comunicação, das forças armadas. Ou seja, todos têm seu preço, ninguém está imune a sedução do poder.
A indústria do petróleo muda a concepção das paisagens urbanas, temos como exemplo Dubai, que surgiu no deserto e em pouquíssimo tempo, tornou-se um dos países mais prósperos do mundo, através dos investimentos dos “donos das empresas de energia”. Observe que a prosperidade é para poucos.
Nos dois filmes tivemos mais uma oportunidade de observar como o poderio americano sobrevive do aniquilamento de países subdesenvolvidos (leia-se subdesenvolvido não pela falta de riquezas, mas pelo excesso de corrupção). Vale lembrar que as indústrias de armas que abasteceram os exércitos na guerra do Iraque pertenciam não somente aos amigos do então presidente Bush, como sua família também tinha participação nas empresas.
A guerra do Iraque foi travada não para proteção do povo, mas sim para obtenção do “ouro negro”. Muitas guerras são financiadas pela exploração de trabalho escravo, através da extração de diamantes na África. Os mesmos diamantes são comercializados na Europa e na América do Norte, grandes joalherias as compram, ou seja, também colaboram para as atrocidades humanas que algumas vezes não são noticidas pela mídia.
É importante e necessário analisarmos a manipulação midiática. No livro”Leitores, Espectadores e Internautas”, de Néstor Garcia Canclini, no capítulo que trata dos consumidores, há um enorme parágrafo que fala sobre grandes conglomerados empresariais que comandam a mídia, companhias aéreas, empresas hoteleiras, negócios petrolíferos, comércio de armas, e daí por diante. O autor cita Berlusconi, Premier Italiano, pois ele detém o poder das principais editoras do país, além de exercer a propriedade sobre todos os canais italianos de TV, e boa parte da imprensa. Assim, os canais de comunicação que não fazem parte desses mega conglomerados tornam-se escassos e frágeis.
Dessa forma, podemos concluir que a teia de corrupção e poder é bem maior do que podemos imaginar. Em muitos governos, inclusive o nosso, o bem estar do povo- por incrível que pareça – não é a prioridade, e os que lutam pelo povo sempre são eliminados (Gandhi, Matin Luther King dentre outros).
A sede de poder embriaga, mas não há ressaca, não há punição. Estamos em uma selva onde os “leões” estão vestidos de “cordeiros”, e não há para onde recorrer, não há fuga, senão a “espera de um milagre”.

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